Buffalo Soldier para muitos é conhecido como uma das músicas do Bob Marley, para outros esse termo transcende para lá de uma canção, como se fosse uma história/hino dos africanos.
O termo apareceu durante a Guerra Civil do Norte da América no séc. XIX, nessa existiam dois regimes de cavalaria só com soldados africanos, os índios nativos do Norte da América ao verem estas cavalarias atribuíram o nome de Buffalo Soldier devido aos seus cabelos encaracolados e à sua bravura eminente, fazendo-lhes lembrar uns búfalos ou bisontes.
Estas cavalarias, comandadas por oficiais americanos, eram compostas por homens africanos que não eram alistados em níveis superiores, porém houve uma excepção no ano de 1877, onde Henry O. Flipper, um mero soldado afro-americano e ex-escravo, é tornado oficial da Academia Militar dos Estados Unidos em West Point.
Na Guerra Civil Norte Americana é estimado um número de 180 mil soldados africanos em combate, a grande maioria destas pessoas foi segregada e recrutada maioritariamente à força para cumprir tanto trabalhos "altos" de combate como tarefas de sua menor importância, alguns conseguiam fugir mas outros levaram uma vida de escravidão.
Durante algum tempo a escravatura foi a base da economia norte americana que possibilitou uma grande produção de matérias e um grande número de soldados com o mínimo dos custos. Este tipo de escravatura não foi iniciado naquele tempo, já os egípcios o tinham feito com o hebreus para construir os enormes monumentos ainda hoje existentes no Egipto.
Estes soldados superaram o preconceito interno existente, e tiveram um papel importantíssimo no combate cultural contra os índios Comanche, Apache, Sioux, etc, mais tarde alguns destes homens foram condecorados com medalhas de honra pelos actos de serviço ao país, estas medalhas demonstram o orgulho em "derrotar" outra civilização mas o que quero retirar é o facto de terem sido homens africanos a receber estes prémios, porque até lá era sequer impensável fazê-lo.
A canção escrita por Bob Marley e Noel G. Williams em 1978 terá sido inspirada num artigo sobre os Buffalo Soldier do início do séc. XIX, também nos anos 60 houve uma enorme produção de filmes de western em Hollywood, onde trouxeram algumas influências destes regimes e também grande parte da história norte americana, um dos filmes a destacar, dos mais famosos clássicos, é Sergeant Rutledge.
Nesta música existe uma caracterização muito simples mas eficaz em relação ao Buffalo Soldier, fundindo com a filosofia Rastafari, com características como dreadlock e rasta, criando o paradoxo do africano que ajuda na fundação da sociedade norte americana.
I´m just a buffalo soldier
In the heart of America
Stolen from Africa, brought to America
Said he was fighting on arrival
Fighting for survival
Said he was a buffalo soldier
Win the war for America
Bob Marley - Buffalo Soldier http://www.youtube.com/watch?v=S5FCdx7Dn0o
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
"O mundo é seu"
"La Haine", filme produzido por Mathieu Kassovitz relata a vida de três jovens imigrantes que vivem nas periferias de Paris, o filme situa-se no contexto das revoltas urbanas em França de 1991.
O tema fulcral é a repressão violenta que o governo faz aos moradores dessas periferias, passa-se durante as vinte e quatro horas de Vinz (o judeu), Said (o árabe) e Hubert (o africano) com o perigo eminente da polícia. O ódio começa quando Abdel Ichah, um árabe de 16 anos e amigo dos três, fica em coma após um interrogatório brutal da polícia.
A vida quotidiana destes três imigrantes demonstra a desigualdade social existente naquela época, repleta de violência. Estes jovens não têm uma visão de futuro da sua vida, pois estão inseridos numa "cultura" muito própria onde as relações são estabelecidas com a violência e a exclusão, a isto Albert Cohen e Alessandro Baratta referem-se como "subcultura delinquente", uma cultura onde as hierarquias são semelhantes e onde a solução de problemas sociais e económicos são a de completa adaptação sem ter resultados no mínimo satisfatórios por parte das culturas "superiores". Estas revoltas que levam à destruição sem qualquer lucro, contêm uma qualidade política apesar da irracionalidade e da violência expressa, porém com carácter de reinvindicar algo.
Um dos aspectos mais reais do filme é a influência capitalista dos Estados Unidos no mundo inteiro, aspecto existente numa cena onde Vinz encontra uma arma de um polícia e finge ser Travis Bickle de Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese.
Frases presentes no filme como "O mundo é seu" expressam a cultura de consumo existente na sociedade. O desequilíbrio entre o consumo e a estrutura económica atinge maioritariamente os jovens e acrescenta problemas de aceitação social e de estilo, também afecta a nível de mercado de trabalho para esses jovens que são negados pelo sistema governamental.
Temos ainda mais recente os casos de execuções feitas por polícias nas periferias de São Paulo em Maio de 2006, onde as frustrações e necessidades aumentaram e houve revoltas atrás de revoltas sobre a política repressora e acabaram por ser só mais umas vítimas.
Em "La Haine" sentimos uma sociedade em decréscimo social. por muito avançada e desenvolvida que seja, pois usa formas violentas para dominar as subclasses marginalizadas.
"So far so good... So far so good... How you fall doesn´t matter. It´s how you land!" - fala de Hubert
http://www.youtube.com/watch?v=6IHO1LzLgIg
O tema fulcral é a repressão violenta que o governo faz aos moradores dessas periferias, passa-se durante as vinte e quatro horas de Vinz (o judeu), Said (o árabe) e Hubert (o africano) com o perigo eminente da polícia. O ódio começa quando Abdel Ichah, um árabe de 16 anos e amigo dos três, fica em coma após um interrogatório brutal da polícia.
A vida quotidiana destes três imigrantes demonstra a desigualdade social existente naquela época, repleta de violência. Estes jovens não têm uma visão de futuro da sua vida, pois estão inseridos numa "cultura" muito própria onde as relações são estabelecidas com a violência e a exclusão, a isto Albert Cohen e Alessandro Baratta referem-se como "subcultura delinquente", uma cultura onde as hierarquias são semelhantes e onde a solução de problemas sociais e económicos são a de completa adaptação sem ter resultados no mínimo satisfatórios por parte das culturas "superiores". Estas revoltas que levam à destruição sem qualquer lucro, contêm uma qualidade política apesar da irracionalidade e da violência expressa, porém com carácter de reinvindicar algo.
Um dos aspectos mais reais do filme é a influência capitalista dos Estados Unidos no mundo inteiro, aspecto existente numa cena onde Vinz encontra uma arma de um polícia e finge ser Travis Bickle de Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese.
Frases presentes no filme como "O mundo é seu" expressam a cultura de consumo existente na sociedade. O desequilíbrio entre o consumo e a estrutura económica atinge maioritariamente os jovens e acrescenta problemas de aceitação social e de estilo, também afecta a nível de mercado de trabalho para esses jovens que são negados pelo sistema governamental.
Temos ainda mais recente os casos de execuções feitas por polícias nas periferias de São Paulo em Maio de 2006, onde as frustrações e necessidades aumentaram e houve revoltas atrás de revoltas sobre a política repressora e acabaram por ser só mais umas vítimas.
Em "La Haine" sentimos uma sociedade em decréscimo social. por muito avançada e desenvolvida que seja, pois usa formas violentas para dominar as subclasses marginalizadas.
"So far so good... So far so good... How you fall doesn´t matter. It´s how you land!" - fala de Hubert
http://www.youtube.com/watch?v=6IHO1LzLgIg
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