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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Romances e afins

É raro encontrar uma bela historia de amor que não emocione o público. Um filme bem feito é isso, não quer dizer que o seu conteúdo seja por si só de muito interesse, mas se conseguir prender a atenção do espectador, já foi bem conseguido. 
Prende a atenção na medida em que este se revê como protagonista da hitória, da cena, do romance, sendo que cada vez mais o homem enquanto espectador , idealiza o seu domínio nas cenas representadas, naquelas que foram inicialmente desenhadas a medida da mulher, é ela que é protagonista, é ela aquela que todas sonham ser, estar na pele dela, encontrar-se na mesma situação em relação ao homem. É neste sentido que o cinema que antes era feito tendo como ícone a mulher, cultivando o prazer erótico produzido, revelando-a como objecto a observar, se remete agora também no homem, e no seu papel sedutor para com o público feminino.
Nos conhecidos filmes românticos, nas grandes histórias de amor vividas atrás das câmaras, são refletidos os desejos secretos daquele que é o publico alvo. O homem é explorado, como perfeito, ideal, gerando cenas de igualmente prazer ao publico feminino e ao masculino. 
"O instinto escopofílico (prazer em olhar para outra pessoa enquanto objecto erótico) e, em oposição, a líbido do ego (formando processos de identificação) actuam como formações, mecanismos, com os quais este tipo de cinema tem agido.", L.Mulvey, Visual Plesure and Narrative Cinema
Assim neste filme deparamo-nos com a correcta utilização das camaras e das montagens, da correcta realização, como produtores da ilusão de espaço e de tempo, transpondo a audienciência para lá da sala de cinema, incorporando-a e encaminhando-a para dentro do ecrã. O cinema atua a título construtivo de ideologias, vive disse e para isso, cria ilusões e apropria-se das representações fetichistas dos corpos e dos desejos neles expressos.
O olhar é a sua definição, a sua idealização, e, como Laura Mulvey refere, é através dele que se criam os egos, que se descobrem os corpos, e também as faltas e necessidades neles implícitas.
Os romances trazem à superfície os desejos mais íntimos de cada índividuo, na medida em que expoe situações que socialmente são as idealizadas e que vivem da metáfora do perfeito ideológico da comunidade em que se encontram inseridas.


ref: Laura Mulvey, Visual Plesure and Narrative Cinema

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O novo, novo

Numa absorção total, somos sugados para aquele que é o mundo, a dimensão das coisas belas.
Numa constante observação das formas, das curvas perfeitas, das rectas perfeitas, daqueles que são automaticamente os  pontos de físicos da questão, pontos palpáveis, pontos de contacto.
O gosto cai sobre o físico, o concreto, óbvio. 
Foge-se àquilo que são os as estruturas e o seu papel, vai-se em busca de uma certa tipologia de poder e de demonstração do mesmo, querendo-se acima de tudo o perfeito, o estável, o seguro.
Voltamos a encontrar uma catedral no meio de igrejas, uma chave-mestra num porta-chaves carregado.
Este é aquilo que procuram, o ideal.
Este é Aquele...
Quase como que um só, as partes se unem, se moldam em conjunto, se transformam no superlativo do gosto, a sua metamorfose.
Apura-se o gosto, a sua direcção e unificação, produz-se uma comunicação mais idealista entre o mundo material e o humano, atinge-se o pragmático unificado com o belo, numa constante valorização dos mesmos.
Tudo se resume naquele momento, naquele instante em que o racional é invadido pelas emoções.
Assim descreve Roland Barthes em “ «O Novo Citroen» em Mitologias”, o gosto surge de uma forma tão alienada à realidade, que confunde sensações e matérias. Contudo não é uma situação de uma caso só, não se trata de um comportamento momentâneo, todo este desejo e loucura pelo poder, pelo bom, pelo ideal, transita de época para época como o sol, e cresce e modificada a sociedade.
Somos hoje quase que moldados por isso, pelas coisas a que damos valor, e tudo vem daí, das coisas….
São as “coisas” que cada vez mais detêm o poder, ou melhor, nós escolhemos que assim seja, nós os racionais. Trata-se de uma constante desumanização.